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Labirinto

  • silvanamouralivros7
  • 25 de mar. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de out. de 2025



Abro os olhos. Meu Deus! Onde estou? Não reconheço este quarto. A parede é bege e está envelhecida. Parece que estou em um lugar abandonado há anos. Sinto o cheiro de mofo por causa das infiltrações. Há vários símbolos na parede. Alguns são letras de um idioma que não reconheço. Outros são sequências de números.


Fico sentada na cama tentando me recompor. Não enxergo direito e a minha cabeça ainda dói. Saio daquele cubículo sufocante e me aventuro pelo sombrio lugar. Não tenho ideia de onde estou ou de como consegui chegar ali. Isso já não importa. Apenas quero sair. Meus sentidos ainda estão debilitados e mal consigo andar. Praticamente me arrasto em direção ao fim do corredor. Ele é realmente extenso e a pouca ilumicação não me permite saber para onde vou. O corredor é estreito e há apenas um caminho.


Passo ao que parece ser uma eternidade. Viro à direita e a esquerda sem a menor indicação de saída. Não há escadas e nem elevadores. Acho que estou no térreo. Também não há janelas. Isso me faz perder completamente a noção de tempo. As portas são exatamente iguais. É difícil mapear o lugar desta forma. Finalmente vejo algo diferente. Uma das portas está entreaberta.



Tento buscar qualquer pista que me indique a saída. Parece que alguém já esteve aqui. A cama está bagunçada e as paredes, rabiscadas. Esse lugar parece muito familiar. Não posso acreditar! Não faz sentido! Voltei para o mesmo lugar. Apesar de ter os sentidos abalados, tenho a certeza de que não andei em círculo. Reviso todo o quarto na esperança de ver algo diferente. Algo que prove que estou em outro lugar. Abro a gaveta da cabeceira. Há uma carta. Leio avidamente em busca de uma resposta.


“Você não vai sair daqui.”


O que será isso? Certamente não foi escrita para mim. Será este realmente o meu quarto? E estes símbolos na parede? Alguns se repetem. Será que há uma lógica nisso? seja lá o que for, não tenho tempo para enigmas. preciso achar uma saída.


Por mais atenta que me disponha, não vejo o menor sinal de diferença entre um corredor e outro. Tento abrir qualquer porta, sem sucesso. Depois de passar por 9 ou 10 corredores, vejo outra porta aberta. Entro.


-Não pode ser!


A cama desarrumada, a cabeceira e aquela parede. Há uma carta aberta sobre a cama. Seu conteúdo já não seria um mistério. A abro mais uma vez e me sento sobre a cama. Já não tenho a menor esperança de ver algo útil. Meus movimentos, nesta altura do campeonato, já são quase automáticos. Releio o papel na cabeceira.


“Eu disse que você não sairia.”


O que será isso? Não foi isso que li pela primeira vez. Há mais alguém neste lugar. Corro pelos corredores e não vejo nada diferente. Apenas portas trancadas.


-Quem está aí? O que você quer? Eu não tenho medo de você. Apareça! Já não sei o que fazer. No auge do meu desespero, me sentei na cama, olhei para a parede e li: “Você nunca vai sair daqui”. Não era isso o que estava escrito antes. Não havia nada compreensível antes. E essas sequências numéricas? e se não forem só sequências? Parecem datas. Se for, há partes que ainda não compreendo. Quem será que esteve aqui antes de mim? Por quanto tempo? O que será que aconteceu? Meu Deus, acho que estou enlouquecendo! Saio do quarto e tento abrir qualquer porta. A medida que caminho pelo corredor, ele fica ainda mais longo.


Começo a ficar tonta. Não consigo respirar. Tudo está escuro. Acho que vou…

- Você está bem, Camila?

- O que? Onde estou?

-Você sofreu um acidente e ficou em coma por vários dias. Um motorista bêbado atingiu o seu carro. Felizmente, você estava usando o cinto de segurança e acredito que, por isso, conseguimos te salvar. Vou ligar para a sua família.


Fecho os olhos e respiro aliviada ao me dar conta de que era apenas um sonho. Sinto um cheiro estranho. Abro os olhos novamente. A cor do teto. Há algo de familiar neste espaço. Olho para o lado e vejo um envelope sobre a mesa.




Olá! Eu sou a Silvana Moura. Se quiser conhecer mais sobre o meu trabalho dê uma olhada no insta @MeuLivroMeDisseQue e no meu YouTube.


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